Uma Vida de Historias

De volta em São Sebastião

Posted in Sem categoria by Uma Vida de Historias! on maio 18, 2013

Enfim… depois de 5 longos meses em SP, no 8º distrito naval, lá estava eu novamente ao meu berço. Logo no dia seguinte da minha chegada fui me apresentar na Delegacia da Capitania dos Portos em São Sebastião. Logo pela manhã eu e mais 7 marinheiros, menos um, o marinheiro Ramon. Fomos apresentados e logo em seguida fomos dispensados com 2 dias de folga. Uau, nem começamos e já ganhamos uma folga, a vida vai ser fácil por aqui, logo pensei. Pleno engano, rsrs!

Após os dois dias de folga finalmente as 7:30 formamos no hall de entrada da DelSSebastião para a primeira ordem de serviço daquela nova fase.

Então chega o atrasado Marinheiro Ramon, logo fomos ouvindo as risadas e guerras dos mais antigos. Então soubemos que o MN Ramon teria ido apenas na parte da tarde para se apresentar e para pagar o atraso foi “convidado” a fazer algumas fainas no quartel. Lavou alguns banheiros, varreu o pátio, recolheu lixos, lavou viaturas, etc… Depois disso, nunca mais o Ramon se atrasou, rsrs!

Enfim, lá estávamos, 8 marinheiros guerreiros e vencedores para mais uma etapa das nossas vidas!

A primeira “Carteirada”…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on outubro 19, 2010

No mesmo dia fomos embora para casa em São Sebastião, onde eu serviria por mais 8 meses na Delegacia da Capitania dos Portos, mas dessa vez mais próximo de casa. Então em certo ponto da viagem paramos num restaurante para comer alguma coisa, e quando retornamos para a estrada minha mãe passou o carro para eu dirigir e terminar a viagem. Já quase chegando, no final da descida da serra havia um posto policial, eu estava um pouco acima do limite de velocidade algo entre 5 ou 10 Km acima do limite, e logo na frente um policial rodoviário estava me aguardando ansioso, mandou eu encostar, perguntou de onde eu estava vindo, mandou acender lanternas, faróis, luzes de freio, enfim, olhou os pneus, até que veio para o carro e falou: “VOCÊ estava acima do limite de velocidade” e pediu meus documentos, então entreguei a ele minha carteira de habilitação e minha carteira militar, ele olhou para mim, olhou para a carteira e disse: “Desculpe o incomodo SENHOR, é só uma verificação, boa viagem” e me entregou os documentos. Uau me senti um comandante, rsrs! (Reparem no tratamento)

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O Café…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on outubro 19, 2010

Após sairmos da 25 de março, fomos fazer uma pequena visita a uma tia, chegando na casa dela ela nos ofereceu um delicioso café, mas como eu estava acostumado com aquela água suja do quartel que eles insistiam em chamar de café. Quando bebi o café da minha tia parecia o pior café do mundo, e falei baixinho pra minha mãe: “Nossa, que café mais ruim” e ela: “Claro que não, está tão gostoso” mas no meu paladar era a coisa mais horrível do mundo, até eu me acostumar novamente com um café de verdade foi duro, até o Nescau que eu tanto gostava tinha perdido o gosto.

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Rua 25 de Março…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on outubro 19, 2010

Uma fato curioso aconteceu na rua 25 de Março em São Paulo, famosa por ter de tudo que se possa imaginar para comprar. Após a formatura minha mãe e minha tia quiseram conhecer a tão famosa rua, e nada que 4 meses naquele lugar não me fizesse tornar quase um guia turístico e La vai eu apresentar a rua 25 de março para elas, mas como tínhamos acabado de sair da formatura eu ainda estava fardado e a farda de formatura é bem parecida com aquela que o personagem “Kiko” usa no seriado “Chaves”. E elas foram entrando em tudo quanto é loja e eu e meu avô ficamos na calçada, o povo passava, me olhava e alguns diziam: “Nossa, parece o kiko esse garoto, será que é fantasia???” – Eu, recém formado na Marinha do Brasil, sendo comparado com o “Kiko”, rsrs!

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Formatura na Marinha do Brasil…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on outubro 19, 2010

Passaram-se então 4 meses na escola de formação de reservistas navais, a EFRN.

Ao mesmo tempo em que queríamos ir embora para casa também não queríamos nos distanciar de todos.

No ultimo dia naquele quartel parecia que não acabaria mais, a ansiedade tomou conta de todos.

E eu como um bom sortudo, caio na escala de serviço, bem no último dia como plantão dos alojamentos num ótimo horário (irônico) das 04:00 as 08:00 da manha. À noite, horas antes da tão esperada formatura, todos estavam arrumando as coisas, uns passando fardas, outros com a amiga camisinha no sapato, outros arrumando as malas, enfim, tirávamos fotos, filmagens, havia um campanha muito engraçado que contava piada, fazia graça, ai que não dava vontade mesmo de deixar aquele lugar, foram maravilhosos 4 meses, formamos uma verdadeira família, apesar de brigas e desentendimentos que não foram poucos, éramos unidos. Aos poucos o sentimento de despedida estava se formando…

Na madrugada o pessoal organizou uma “guerra” no alojamento, não deixariam ninguém dormir, seria a noite da despedida, foi uma bagunça tão grande que o pessoal desceu umas 3 vezes no pátio pra tomar bronca, isso na madrugada, e eu como estava de plantão de alojamento tive que segurar a bomba, toda hora o telefone do plantão tocava e era algum sargento brigando por causa da bagunça, como se eu fosse alguma coisa ali e eles me respeitassem.

Enfim, amanheceu… Fomos tomar café, eu passei o serviço, o quartel estava um alvoroço, familiares chegando, fui até a sala de aula onde os familiares nos esperavam, depois de quase 2 meses sem ver minha família por causa de uma faxina geral no quartel por causa da formatura e uma inspeção do comandante de operações navais, foi uma alegria revê-los, subi pelo elevador até o 4º andar onde estavam todos, e quando abriu a porta do elevador ali estavam, corri e abracei minha mãe, minha tia e meu avô, fiquei alguns minutos com eles e depois desci para formar, dei mais uma passada no alojamento, e estava tendo uma algazarra, e em 4 meses ali dentro sem tomar nenhuma parte (livro de contravenção disciplinar) nos últimos minutos ali dentro tomei minha primeira parte, um sargento entrou no alojamento bem na hora em que dei um grito falando alguma coisa que não lembro o que era, ela me viu fazendo aquilo e achou que eu era o causador de toda bagunça.

Enfim, chegou a hora tão esperada… Formamos atrás do quartel junto com a banda, fuzileiros e outros militares, iniciou então a nossa formatura. Quando viramos a esquina para entrarmos no pátio onde estavam todos, uma emoção muito grande nos tomou, entramos cantando o hino da Marinha onde começava: “Ouve-se ao longe um andar cadenciado; Soam os clarins da banda militar. E ao ritmo da marcha compassado surgem os homens do mar…” e assim entramos cantando, marchando e formando o desenho de uma ancora e o “MB (Marinha do Brasil)”.

Após o desfile formamos e ficamos em sentido para ouvir o discurso do comandante que muito me emocionou, enquanto aquele homem estava falando, um filme passava pela minha cabeça de tudo que passei durante os 4 meses ali dentro, o convívio, alegrias, tristezas, momentos de força e coragem, desafios, enfim, foram alguns minutos de viagem no tempo. Após o discurso fizemos o juramento que com emoção dissemos com a força total de nossos pulmões:

 

“Incorporando-me à Marinha do Brasil, prometo cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado, respeitar os superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de armas, e com bondade os subordinados, e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja Honra, Integridade, e Instituições, defenderei com o sacrifício da própria vida!”

 

Então após o juramento recebemos o “Fora de Forma” e estávamos finalmente incorporados à Marinha do Brasil!

Subi correndo pro alojamento, já estava tudo meio vazio, alguns campanhas pegando suas malas, e pela ultima vez fechei meu armário e olhei para minha cama de numero 1217 naquele alojamento, despedi de alguns amigos, desci encontrei mais alguns e finalmente pelas minhas costas ficou o 8º Distrito Naval da Marinha do Brasil.

Quero dedicar essas lembranças a todos os recrutas e em especial a dois amigos que estiveram comigo naquele lugar: “Ramon e Andrade” (nomes de guerra).

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O segredo dos sapatos…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on setembro 13, 2010

Com grande freqüência existia a tão temida “Inspeção de Uniforme” no quartel, onde todos formavam no pátio e o comandante passava verificando um a um dos pés a cabeça, julgava desde o brilho dos sapatos até os milímetros da costeleta.

Sempre nesses dias era um alvoroço, gente que passava o uniforme com a mão, outros com o ferro ate o vinco cortar uma folha de papel, outros passavam velas nos sapatos para dar brilho, enfim, filas enormes se formavam no cabeleireiro do quartel para passar a maquina numero 1 dos lados e a numero 2 em cima, acertar o pezinho, e fivelas lustradas.

Passamos então pela nossa primeira inspeção de uniforme, foi um desastre, quando achávamos que estaríamos nos “trinks” fomos chamados de molambentos.

Principalmente os sapatos, que nos faziam ganhar mais pontos, inclusive uma vez eu ganhei uma folga do quartel por ter os sapatos mais limpos.

Passaram-se mais alguns dias e chegou novamente à temida inspeção. No desespero para encontrar a solução para o uniforme perfeito, para o branco mais branco, e principalmente para o sapato mais brilhoso eis que surge uma luz no fim do túnel, ou melhor, na camisinha! Sim, na camisinha mesmo, um de nossos campanhas sem querer estava com uma delas na mão, pois ganhávamos muito isso em palestras que tinham a todo momento no quartel, então ele abriu uma e meio sem querer passou de leve no sapato e viu que com o óleo dela dava um certo brilho, mostrou para alguns, e de repente todos estavam lustrando o sapato com a tal da camisinha, foi uma beleza, nunca vimos sapatos mais brilhosos do que aqueles.

Na inspeção todos formados ansiosos para o julgamento, havia no quartel um tenente muito severo conosco e ele participava sempre das inspeções com o comandante, até que se aproximaram do nosso pelotão e foram passando e vistoriando um a um, eles ficaram surpresos ao ver nossos sapatos impecáveis, pois há alguns dias estavam sem brilho algum, e no outro estavam todos brilhando como nunca, cochicharam entre eles e como eu estava perto pude ouvir alguma coisa: “O que eles fizeram com os sapatos? Não é possível, esses sapatos não deveriam ter todo esse brilho”.

E pela primeira vez foram obrigados a reconhecer, estávamos impecáveis.

E assim foi nosso segredo pelos próximos meses de inspeção.

Mas um dia estávamos passando a camisinha nos sapatos e após jogávamo-las no lixo que ficava na porta do alojamento, e o lixo foi se enchendo de camisinha, e em um certo momento chegou um dos sargentos para uma rápida vistoria no alojamento, todos rapidamente esconderam seus “segredos de brilho” e para nossa surpresa o primeiro local que ele olhou foi o lixo, quando ele viu aquele monte de camisinhas ele deu um grito espantado: “O que é isso aqui nesse lixo??? Quem ta comendo quem nesse alojamento???” todos caímos na gargalhada, inclusive ele, rsrsrs!

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Um anjo de Deus…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on agosto 22, 2010

Eu e toda minha família somos evangélicos, e na Marinha era proibido falar sobre religião, política e futebol, pois são assuntos que geram discussão. Mas eu já estava a um bom tempo sem ir à igreja e já estava me fazendo falta. Então resolvi dar uma volta e procurar uma igreja próxima ao quartel, e andando pela rua eu disse pra Deus: “Deus, me envie um anjo pra me ajudar a encontrar uma igreja”. E andando na rua avistei um senhor baixo, gordo com uma pasta na mão, bem trajado de terno e com um guarda-chuva na outra mão, olhei e pensei comigo: “Parece ser de alguma igreja, vou perguntar se ele conhece a minha igreja e quem sabe poderá me indicar o caminho”. Aproximei-me do senhor e disse: “Boa noite, o senhor poderia me informar onde eu posso encontrar uma igreja” e disse o nome da minha igreja pra ele e ele me respondeu: “Claro, eu também sou dessa igreja e estou indo pra La, me acompanhe”. E fui com aquele senhor, e ele não era de muitas palavras, eu perguntava alguma coisa e ele só me respondia o necessário, até que chagamos na igreja. Participei do culto, e após fui procurá-lo para agradecer e não o encontrei mais e pensei: “Ele já deve ter ido embora”. Passaram-se os dias, eu voltei naquela mesma igreja, e participei dos cultos durante uns 3 meses até ser enviado para São Sebastião, e nunca mais vi aquele senhor, perguntei pra alguém mais ou menos as suas características mas ninguém sabia do homem, ninguém o conhecia, inclusive os porteiros.

E mais uma vez eu vi que Deus estava comigo naquele lugar.

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Treinamento de Guerra…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on agosto 22, 2010

Um dia fomos realizar um treinamento de guerra numa pista de combate no quartel do exercito, antes de sair do quartel para irmos realizar o treinamento um medo indescritível me tomou, minha garganta fechou, as pernas bambearam, as mãos tremeram, enfim, o coração estava acelerado, eu sentia que alguma coisa iria acontecer e não seria muito boa. Na saída do quartel estávamos no ônibus e algumas viaturas com fuzileiros navais nos acompanhavam logo na saída uma das viaturas parou do nosso lado e como o ônibus é mais alto que o carro, notei algumas armas dentro na viatura e algumas bombas de gás, quando vi aquilo meu medo foi pior ainda.

Chegamos na pista de combate e logo aqueles fuzileiros se transformaram, realmente nos proporcionaram em um ambiente de guerra. Naquele dia já começamos pagando muitas flexões, poli-chinelo, canguru, tudo pra aquecer, naquele dia pelas minhas contas pagamos mais de 2 mil flexões fora os outros exercícios. Logo de inicio fomos correr numa trilha em um morro, a trilha mal cabia uma pessoa, e eles mandavam seguir em trio lado a lado, e correndo, subimos o morro e descemos no meio de um mato muito alto e fechado, até que chegamos num lugar descampado com uma terra vermelha, e como estava sol e calor o chão estava muito seco com muita poeira. Mandaram todos deitar no chão, rolar, rastejar, como se estivéssemos numa guerra, a poeira era tanta que passei a língua nos lábios senti o sabor da terra, os lábios já estavam grossos de tanto poeira, já não conseguia respirar direito, como estávamos nos rastejando muito a poeira ia subindo. Os fuzileiros se esconderam no meio do mato e disse que tínhamos que encontrá-los e o ultimo que chegasse pagaria um castigo, foi uma correria louca, cortamos mais um pequeno morro até um outro lugar descampado onde estavam os outros fuzileiros já nos esperando, e disseram: “Vocês são uns moles mesmo, como chegaram só agora TODOS vão pagar o castigo”.

Primeiro mandaram cada um ir até a metade da pista de combate, pra chegarmos ate a metade teríamos que ir rastejando por uns 50 metros, passar por algumas barras a 1 metro do chão sem encostarmos os pés no chão, depois pagar 10 barras, passar rastejando por um túnel feito com bueiros de esgoto que dentro tinha terra molhada e aquilo fedia muito, parecia fezes, depois teríamos que passar por um lago pendurado numa corda e quem caísse no lago teria que refazer o exercício todo. Após isso os fuzileiros disseram: “Muito bem senhores, agora vamos ver quem de vocês é caveira (guerreiro, corajoso, forte)” e nos levaram para um lugar com alguns cômodos e nos fecharam dentro de um deles, um lugar com aproximadamente 5 ou 6 metros quadrados com 50 recrutas dentro e mais 3 fuzileiros com mascaras, logo imaginei: “a coisa vai ficar preta”, de repente eles pegaram as bombas de gás e soltaram 3 deles na nossa direção, eu abaixei e prendi a respiração, mas não foi o suficiente, quando então resolvi pegar mais ar no mesmo momento uma das bombas veio parar na minha frente, e como eu estava de olhos fechados não vi e aspirei praticamente todo aquele gás, perdi totalmente o sentido, meus olhos começaram a lacrimejar, minha respiração foi embora, fiquei tonto sem saber onde estava, a única coisa que me lembro foi que um Sargento Fuzileiro estava na porta pra não deixar ninguém sair e eu o esmurrei até que ele saísse da porta, dei alguns passos e cai no chão já sem ar, sem enxergar mais nada e só ouvia a gritaria do pessoal correndo, 2 campanhas me pegaram pelos braços e me levaram ate um lugar arejado onde eu pudesse pegar ar, fiquei ali por alguns minutos quase sem sentido, e ouvia um dos fuzileiros dizer: “Ta vendo Assunção como é bom? É gostoso esse gás não é? Bem melhor que tocar violino não é mesmo? Você é um fraco Assunção, Fala que você é um Fraco Assunção” e eu não consegui dizer uma palavra eu estava desesperado já completamente sem ar tentava puxar ar de algum lugar e não conseguia, então comecei a mais uma vez pedir a ajuda divina e pensei: “Deus, me ajude, me ajude por favor, não deixe eu morrer, me livra disso senhor” eu estava com a sensação da morte, então um dos fuzileiros viu que eu estava realmente já desfalecendo e rapidamente me levaram para a ambulância de apoio e ali fiquei por uns 20 minutos recebendo oxigênio, fiquei completamente mole, sem forças, não consegui pensar direito, os olhos ardiam, a respiração fraca, até que quando estava um pouco melhor me mandaram entrar de novo na formação do pelotão, mas eu estava em estado de choque, não conseguia raciocinar, estava completamente sem direção. Um dos fuzileiros viu minha situação e começou a gritar: “ASSUNÇÃO, NÃO DEIXA A MORAL CAIR ASSUNÇÃO, OLHA PRA MIM, ACORDA ASSUNÇÃO, VAMOS” me deu alguns chacoalhões e fez eu me rastejar por alguns metros, correr, mas minha respiração já não era mais a mesma, eu estava fraco, não conseguia respirar direito por causa de todo o gás inalado, e assim foi o restante do dia, fiquei totalmente fraco.

Iniciamos então o treinamento na pista, tínhamos que correr, passar por todos os obstáculos em um tempo mínimo, e por ultimo atravessar um grande rio a nado, e voltar segurando numa corda submersa com a cabeça debaixo na água e só poderia subir a cabeça 3 vezes para respirar, e depois voltar para a outra margem por cima da água em cordas bambas e retornar em uma tirolesa.

Quando iniciamos a pista eu fui um dos últimos por causa da minha condição, e restou eu e mais 2 campanhas pra me ajudar caso eu passasse mal na pista, no fim eu que estava morrendo acabei ajudando e dando força pros outros 2 campanhas. Tínhamos que atravessar uma ponte pênsil e estava cheia de muito barro e escorregadia, antes de entrar na ponte para passar um fuzileiro me fez melecar a cara toda com o barro, tinha barro até dentro do ouvido praticamente.

Quando chegamos no rio estavam todos nos esperando para começar a travessia, eu já estava exausto, não consegui respirar direito e pedi pra um dos fuzileiros me deixar por ultimo porque eu não estava mais agüentando ficar em pé, então ele me disse: “Ok Assunção, enquanto isso vai descansar um pouco junto com os seus campanhas” quando cheguei no local de descanso pra minha surpresa o descanso era: Correr quase 1 km, pagar aproximadamente 200 flexões e poli-chinelo, até que todo o grupo atravessasse o rio. Aquilo pra mim foi o fim, já estava praticamente morto, ia terminar de morrer ali. Quando chegou minha vez e passar pelo rio eu olhei a distancia e ainda estava em choque e com muito medo, disse pro Sargento Fuzileiro: “Senhor, não vou conseguir passar, não estou conseguindo respirar, como vou nadar até a outra margem e voltar por baixo da água?” e ele me respondeu: “Assunção, eu não quero saber se você esta morrendo ou não, é uma ordem ATRAVESSE O RIO” o meu desesperou aumentou 100 vezes, entrei no rio, a água estava muito gelada, olhei pra outra margem e disse: “Deus, me ajude” fechei os olhos, mirei a margem e comecei a nadar, quando menos esperei já estava na outra margem, na volta estava mais morto ainda, tinha que passar por debaixo da água e só poderia levantar a cabeça 3 vezes para respirar, a distancia era grande, devia ter quase uns 100 metros de uma margem na outra, e não poderia nadar, ou apenas mergulhar, teria que segurar na corda e se puxar até a outra margem, então respirei, puxei o Maximo e ar que pude e fui, me puxei tão rápido quanto um torpedo, quando fui levantar a cabeça pela segunda vês para respirar e abri os olhos eu já tinha chegado na outra margem, o Sargento olhou pra mim e disse: “Assunção, estou orgulhoso de você, é isso ai Marinheiro, SUPERAÇÃO, Parabéns” e olhou firme nos meus olhos.

Terminou o treinamento e retornamos pro quartel. Fomos tomar banho e parecia que éramos feitos de barro e estávamos nos desfazendo de tanto barro que tinha, o banheiro ficou imundo de tanto barro que saia, eu fiquei uns 30 minutos me esfregando até sair o barro totalmente, no outro dia ainda tinha vestígios de barro saindo no banho.

No dia seguinte, eu já estava melhor, e estávamos todos na sala de aula quando chegou um dos Sargentos que estavam no treinamento e disse: “Senhores, quero parabenizar todos pelo treinamento de ontem, foram todos muito bem, mas quero dizer uma coisa, se eu pudesse dar um nome para aquela pista de combate, eu daria o nome de: ASSUNÇÃO, pela superação que o campanha de vocês mostrou, todos viram a dificuldade que ele estava, a moral dele foi La embaixo, mas ele não desistiu, fez todos os exercícios mesmo em péssimas condições e enfrentou as pressões” e olhou para mim e disse: “Assunção, Bravo Zulu (parabéns, boa ação)” e olhou pra sala de disse: “Senhores, vamos pagar 10 flexões pelo nosso bom desempenho”.

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Inteligência da Marinha…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on agosto 22, 2010

No terceiro fim de semana fui pra casa e acessando a internet procurei o site do quartel que eu estava servindo, e como eu estava no pique do web design quando entrei no site minha impressão não foi das melhores, não desmerecendo o trabalho dos outros, mas não estava acostumado e nem conhecia muito bem o padrão dos sites do governo, e não eram dos melhores, eu estava acostumado com desenvolvimento mais sofisticado resolvi querer ajudar aquele lugar a ter um site com um design mais sofisticado, com uma aparência mais bonita, enfim, e enviei um e-mail para o quartel falando da minha intenção e com uma breve analise do site. Chegando ao quartel na semana seguinte estávamos na sala de aula quando um sargento chegou e disse: “Assunção?! Vêm até a frente, paga 10 flexões” eu sem saber o motivo, mas como estávamos pagando flexão feito loucos fui até a frente e paguei, após isso ele perguntou para a sala: “Quem é o recruta que mandou um e-mail pro quartel? Falando sobre o nosso site?” – Meus olhos brilharam, pensei: “Legal, eles vão aceitar minha proposta de ajuda” – Me apresentei como o responsável pelo e-mail, mas não foi muito bem assim como pensei, ele disse: “Você é maluco boy?! Ta querendo tirar o emprego dos outros? Quem você pensa que é pra dizer o que é ruim ou o que é bom na Marinha? Ninguém precisa da sua ajuda aqui na Marinha, é você que precisa da ajuda da Marinha, e vou levar o seu caso pro comandante, e paga mais 10 flexões pra aprender a respeitar uma hierarquia e disciplina”. Eu paguei e minha moral foi em baixa, fiquei completamente envergonhado, ainda mais na presença de quase 50 recrutas. Ele desceu e foi falar com o comandante, alguns recrutas começaram a tirar um sarro pela minha ação, mas procurei não me preocupar com aquilo, mesmo estando completamente decepcionado.

Passou então alguns dias e fomos fazer um exercício de ordem unida no pátio do quartel, enquanto estávamos marchando chegou um Sargento e cochichou no ouvido do outro Sargento que estava nos liderando. O Sargento deu alto para o pelotão (mandou parar de marchar) e disse: “Marinheiro Assunção, fora de forma” – Sai da formatura e me dirigi a ele, já esperando o pior. Quando cheguei na presença dele e do outro Sargento ele me perguntou: “Então foi você que enviou o e-mail falando sobre nosso site?” – Eu respondi que sim, e ele continuou: “Me diga Assunção, o que podemos melhorar no site? O que você viu de errado?” – Eu então achei que ele estava sendo irônico, mas respondi as perguntas com uma breve analise, e ele me disse: “Assunção, vem comigo” – Então o acompanhei até uma sala no segundo andar no mesmo corredor do nosso alojamento já com o coração na mão, e então descobri que ali era a sala do setor de inteligência do quartel, setor de tecnologia da informação. Entramos na sala e já tinha algumas pessoas nos esperando.

Uma senhora que até hoje tem um carinho especial por ela, que era funcionaria civil e responsável pelo setor me fez algumas perguntas, respondi, apresentei meu currículo a ela e então ela me disse: “Assunção, levamos seu caso pro comandante, e ele gostou muito da sua atitude, então decidimos que pela sua conduta e pelo seu currículo a partir de hoje você vai trabalhar aqui com a gente” – Só faltei pular de alegria, minha vontade era de beijar aquela mulher de tanta felicidade, o resto do pessoal daquele setor me receberam como um verdadeiro filho e me senti muito bem acolhido naquele setor.

Todos os dias após as aulas eu ia trabalhar naquela sala, ali aprendi muito foi uma oportunidade e tanto na minha vida.

Quando voltei pro alojamento já à noite os recrutas estavam todos apreensivos, já estavam até falando que eu tinha sido preso e quando entrei no alojamento vieram todos me fazer perguntas, uns achando que eu estava voltando só pra pegar minhas coisas e ir pro baileu (cadeia) outros tirando sarro dizendo: “Ai Assunção, se ferrou, foi querer dar uma de sabe-tudo, se lascou” e davam risada, então quando eu abri a boca e disse: “Não fui preso e nem me ferrei, pelo contrario, a partir de hoje eu faço parte da informática, vou trabalhar na inteligência, no setor de tecnologia da informação” e sorri. Todos acharam que eu estava brincando ou querendo-me ‘safar’ da zoação, e só foram acreditar mesmo depois de alguns  dias, porque viam que eu realmente estava todos os dias indo pro setor.

E a partir daquele dia eu fui o recruta mais odiado entre todos, era o único que era “coxado” no quartel, dificilmente pega faxinas pra fazer, enquanto os outros faziam todos os dias.

E aquele Sargento que tinha me feito pagar flexões quando ficou sabendo também teve uma surpresa.

Trabalhei naquele setor por 3 meses até me formar e ser enviado para o quartel da minha cidade em São Sebastião, e chegando em São Sebastião continuei na inteligência só que dessa vez com um companheiro de conduta bem diferente daquela que eu conheci em São Paulo, e você vai conhecer essa outra historia mais pra frente. Em São Sebastião eu desenvolvi o site da Delegacia da Capitania dos Portos o qual mesmo depois de ter saído da Marinha fui contratado pra continuar trabalhando no projeto ate seu termino, e após 1 ano chamado novamente pelo comandante para atualizar o projeto e realizar algumas modificações.

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Passando Mal no Quartel…

Posted in Biografia by Uma Vida de Historias! on agosto 21, 2010

Na segunda semana do quartel eu comecei a ficar meio doente, ate ficar muito doente. Uma tosse me pegou de jeito, uma moleza no corpo, até ao ponto de não conseguir dormir mais de tanta tosse, febre e tudo mais. Mas como ainda era o inicio de tudo, eu não poderia demonstrar que estava doente senão correria grandes chances de ser dispensado, então juntei forças da onde não tinha pra conseguir superar aquilo, pra ajudar estava muito frio na época, e como acordávamos as 05:30 da manha todos os dias, quando descíamos para o pátio geralmente estava em torno de -04º C (quatro graus abaixo de zero) e com camisa regata e shorts pelo meio da coxa, passava um frio lascado. Isso contribuiu para o agravamento da enfermidade. Um dia já muito mal fomos passar por uma inspeção de uniforme, e sempre quando tinha essas inspeções passávamos horas no pátio de baixo de um sol escaldante, e neste dia alguns dos recrutas desmaiaram, passaram mal, enfim, e eu não agüentando mais aquele sol, a moleza do corpo, não consegui comer direito, nem mesmo beber água, e fazendo todos aqueles exercícios, mas na hora em que os recrutas começaram a ser levados para a enfermaria eu aproveitei o ensejo, fui logo atrás, mas dizendo que estava apenas com um pequeno mal estar, até que uma tenente medica me perguntou o que eu tinha, e viu que eu estava tossindo muito, e graças a Deus me receitou um xarope, o xarope era tão bom de tomar que tenho ele guardado em casa até hoje, só usei uma colherada, o negocio sabia ser ruim, dispensei o xarope, e nas saídas do quartel eu ia ate uma lanchonete próxima e pedia suco de laranja puro, sem água sem açúcar sem nada, comprei um vidrinho de própolis e tomava junto com o suco, isso foi me ajudando a acalmar a tosse, mas não adiantava muita coisa, até que um dia já muito mal, sem sequer agüentar a levantar da cama já usando as forças reservas que já estavam no fim, estava deitado na cama tentando dormir por volta das 2 horas da manha, e já no desespero fui até o banheiro, coloquei o meu joelho no chão e pedi pra Deus, como ultimo recurso, fui buscar ajuda divina, e falei essas palavras pra Deus: “Deus que esta nos céus, tu que é tão poderoso, capaz de criar os céus e a terra, por favor, venha ao meu encontro, não estou agüentando mais, me ajude a sarar dessa enfermidade que me tomou, se tu me ajudar, eu serei grato a ti, por favor, me ajude” e levantei dali e fui pra cama, passou alguns minutos e eu já estava dormindo, quando bateu 5:30 da manha eu levantei junto com os outros recrutas, descemos para o pátio, corremos, pagamos flexão, tomamos café, enfim, resumindo, eu estava liberto, depois daquele dia não peguei nem gripe, fiquei um bom tempo, aproximadamente uns 2 anos ate pegar uma leve gripe, Deus atendeu o meu pedido, e sei que a fé realmente pode mover montanhas.

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